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1930, a morte da Parayba…

Por: Epitácio Dantas...


Em 1928, João Suassuna, então presidente do estado da Paraíba, lança a chapa dos três Jotas: Júlio Lyra, José Pereira e José Queiroga para a presidência, primeira e segunda vice-presidências consolidando sua força no estado e acirrando o enfrentamento político entre o advogado paraibano João Dantas, João Pessoa e o coronel José Pereira, chefe da cidade de Princesa. Epitácio Pessoa em contrapartida lança seu sobrinho João Pessoa enaltecendo “que desejava assegurar garantias a todos e que levaria a polícia a perseguir e vasculhar propriedades à procura de armas que abasteciam o cangaço, contrariando as lideranças regionais e políticas de Suassuna e Zé Pereira”. O conflito culminou com a famosa “Revolta de Princesa”, aparecendo então à figura do advogado João Dantas, filho do coronel Franklin Dantas do município de Teixeira, em defesa de Zé Pereira.


A oposição mantida a João Pessoa por João Dantas ocasionaria com a invasão de seu escritório na Rua Direita, 519 (hoje Duque de Caxias) próximo do palácio do governo que foi tomada de assalto pela polícia, no longínquo 10 de julho. Arquivos destruídos e mobiliários, biblioteca e documentos de João Dantas jogados e queimados. Correspondência íntima entre João Dantas e sua noiva e poetisa Anayde Beiriz publicadas pelo O jornal A União, o órgão oficial do governo e agredindo com grande teor difamatório a família Dantas e Coronel Franklin Dantas. Segundo o historiador José Joffily: “A caminho do Colégio Pio X, onde estava concluindo o ginásio, entrei numa fila, para ler sonetos extravagantes e confidenciais do diário do fogoso advogado, eram confidências amorosas entre o advogado João Dantas e Anayde Beiriz”. O ódio e as desavenças apimentaram perigosamente as ligações entre Dantas e João Pessoa, culminando, com a mudança do brilhante advogado para Olinda em Pernambuco.



26 de julho de 1930, João Pessoa viera ao Recife encontrar-se com a cantora soprano Cristina Marista, com quem mantinha um romance secreto , com o argumento de tratar questões políticas de Princesa, insurreição liderada pelos coronéis que não se conformavam com o aumento de impostos na reforma econômica implantada pelo seu governo. Depois de bater seu último retrato, João Pessoa, caminha em direção à Confeitaria Glória para tomar um chá antes de regressar à Paraíba. Logo em seguida, entra o advogado João Dantas. , acompanhado de seu cunhado Augusto Caldas. Aproxima-se da mesa, saca um revólver calibre 32 e atira várias vezes no seu desafeto político. A vítima ainda recebe atendimento numa farmácia, mas não resiste aos ferimentos, João Pessoa estava morto! João Dantas ainda seria ferido pelo motorista de João Pessoa quando fugia, e depois acabaria sendo preso ao lado do cunhado Moreira Caldas. Com cunho extremamente político, o cadáver de João Pessoa foi transladado e o velório realizado no Palácio do Governo da Paraíba e posteriormente enterrado no Rio de Janeiro, a capital do Brasil, no dia 8 de agosto. Os “revolucionários” derrubaram o governo de Washington Luís! Assumiria Getúlio Vargas.


Segundo Ronildo Maia “ João pessoa morreu com as joias que havia comprado na joalharia Krauze para sua amante”. O vice-presidente Álvaro Pereira de Carvalho,que assumiria o governo estadual , muda o nome da capital da Paraíba para João Pessoa e acrescenta Nego à bandeira do Estado, numa suposta resposta de João Pessoa ao presidente Washington Luís , negando seu apoio à candidatura vitoriosa de Júlio Prestes. Recolhidos à Casa de Detenção, do Recife, João Dantas e seu cunhado, foram decapitados e suas cabeças enviadas para a Paraíba, era o dia 03 de outubro de 1930, tenente Ascendino Feitosa e seu auxiliar o soldado João da “Mancha” teriam arquitetado a execução. Em entrevista prestada pelo Coronel Manuel Arruda de Assis, oficial da Policia Militar da Paraíba a José Romero Araújo em 1989, - o indivíduo João da Mancha era considerado sangrador das forças volantes paraibanas, rompeu com o bisturi do médico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, como também de seu cunhado, o engenheiro Moreira Caldas. O “serviço” fora feito por um profissional macabro! “O militar sabia milimetricamente onde romperia a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes.” E continua o coronel Manuel Arruda, “só alguém que estava profundamente em contato com a “arte” de sangrar poderia ter feito um “trabalho” com tamanha perfeição”. Segundo Manuel Arruda, “ as tropas comandadas por Juarez Távora, chegaram ao Recife, se dirigindo pelos militares paraibanos à detenção onde se encontravam presos João Dantas e Moreira Caldas , comandadas por Ascendino Feitosa, levando o exterminador João da “Mancha” e o médico Luiz de Góes.” Conforme o entrevistado, esse médico era capaz de tudo, regido por verdadeiro espírito sanguinário. -“dominados os prisioneiros, Luiz de Góes apontou a Ascendino a carótida. João Dantas entrou em luta corporal com seus algozes, sendo atingido na sobrancelha. Com precisão invulgar, João da “mancha” recolheu o bisturi e aplicou certeiro golpe no local indicado, pondo fim à vida de João Dantas.” O entrevistado revelou que o corpo do advogado foi profanado de diversas maneiras, mesmo quando estertorava. Em seguida, o cunhado Moreira Caldas teve o mesmo fim porém implorando para que o deixassem viver .

A professora e poetisa Anaíde Beiriz sentiu-se acuada após o assassinato de João Pessoa. Abandonou a sua residência na Paraíba e foi morar no abrigo Bom Pastor no Recife, onde passou a visitar João Dantas, após o cruel assassinato de Dantas, aos 25 anos de idade. Sem suportar tamanha dor ,suicidou.


Por: Epitacio Dantas


Fontes: Manoel Severo Curador do Cariri Cangaço, Ítalo de Rocha Leitão e acervo do Google.

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