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40 anos sem o poeta...Vinicius de Morais "sua vida foi eterna enquanto durou"



Como no "Soneto de fidelidade", sua vida foi eterna enquanto durou. Às 7h do dia 9 de julho de 1980, aos 66 anos, morria em sua casa na Gávea, Zona Sul do Rio, Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes, conhecido desde os 9 anos apenas como Vinicius de Moraes. Dois meses após uma cirurgia, o "poetinha" foi vítima de um edema pulmonar e da demora da ambulância, que só chegou uma hora e vinte minutos depois de ser acionada.


A comoção foi geral. Com o anúncio de sua morte pelas rádios, no mesmo dia as vendas de discos do compositor dispararam nas lojas cariocas. Na São Francisco de Paulo, na Rua São José, no Centro, destacou reportagem do GLOBO, a gerência colocou em destaque junto à vitrine todo o seu estoque. No Cemitério São João Batista, mais de 500 pessoas, entre familiares, artistas e intelectuais, despediram-se de Vinicius e celebraram sua contribuição à cultura do país.

Uma lista completa com os célebres amigos que compareceram ao enterro foi publicada na edição do dia seguinte. Ao todo, 58 nomes. Otto Lara Rezende, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Glauber Rocha, Antonio Callado, Elis Regina, Milton Nascimento, Ferreira Gular, Clara Nunes, Miúcha e Chico Buarque, entre outros, passaram pela despedida, destacou o jornal. No dia seguinte à sua morte, no bar Garota de Ipanema - esquina da Rua Montenegro (rebatizada Vinicius de Moraes um ano depois) com a Prudente de Morais -, a mesa que o "poetinha" sempre ocupava para beber permaneceu intocável. Uma placa lembrava sua ausência.



Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Jardim Botânico, na Zona Sul, na Rua Lopes Quintas 114. Na infância, teve uma longa relação com Botafogo. Nesse período, morou nas ruas Voluntários da Pátria, da Passagem, 19 de Fevereiro e Real Grandeza. Quando iniciou os estudos no Colégio Santo Inácio, também passou a residir com os avós paternos na Rua São Clemente. Os fins de semana e feriados passava com os pais, Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, na Ilha do Governador. Formado em Direito, ficou marcado pelos muitos casamentos, nove no total. "Quando eu me separo de uma mulher, levo apenas a escova de dente", lembrava Sergio Cabral da frase de Vinicius em artigo publicado naquela edição de 1980. Além das mulheres, deixou cinco filhos.

Quase sempre com um copo de uísque na mão, acompanhado de um cigarro, o diplomata, poeta, compositor, dramaturgo e jornalista tinha várias faces e talentos. Na música, foi um dos ícones da Bossa Nova e compôs centenas de canções clássicas, entre elas "Garota de Ipanema", uma parceria com Tom Jobim, "Arrastão", feita com Edu Lobo e eternizada na voz de Elis Regina e "Quando tu passas por mim". Também contribuiu em 13 músicas do álbum "Canção do amor demais", de Elizeth Cardoso, lançou o disco "Os afro-sambas" com Baden Powell e se aproximou de Toquinho, com quem realizou sua última obra musical, o álbum "Um pouco de ilusão".

Os primeiros versos foram escritos ainda na escola, nos anos 1920. A carreira literária começou oficialmente em 1933 com "O caminho para a distância", seu primeiro livro. Um ano antes já havia publicado em revista "A transfiguração da montanha", poema com 152 versos. Em 1935, lançou seu segundo título, "Forma e exegese", mas foi com "Novos poemas", de 1938, que se tornou referência na literatura de sua geração. Mais tarde, em 1943, a reverência da crítica se manifestou em "Cinco elegias", tido como marco de sua maturidade poética. Em 1954, sua "Antologia poética" chegou às livrarias, três anos antes do "Livro de sonetos". Em seguida, quatro livros ainda foram publicados, entre eles " Para viver um grande amor", o primeiro de crônicas.

Na imprensa, passou pelos jornais "A Manhã", "Diretrizes", "Última hora" e "A Vanguarda". Também assinou uma coluna com conselhos amorosos no semanário "Flan", veículo que durou apenas nove meses. No Itamaraty, tornou-se vice-cônsul em Los Angeles e fundou o Bureau Interamericano de Arte. No teatro, seu grande marco foi "Orfeu da Conceição", peça publicada na revista "Anhembi" em 1954 e encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A trilha sonora da montagem foi criada com Tom Jobim e a cenografia ficou sob responsabilidade do arquiteto Oscar Niemeyer. A peça inspirou o filme antológico "Orfeu negro" de Marcel Camus. Além de ganhar a Palma de Ouro do Festival de Cannes, o filme recebeu o primeiro e até hoje único Oscar conquistado pelo Brasil, na categoria de melhor filme estrangeiro.


Fonte: Acervo de oglobo.com/fatos-historicos/no-adeus-vinicius-de-moraes-em-1980-comocao-homenagensao-poetinha

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